
Antes de mais, é importante dizer que as Sete Cidades é, para muitos, a imagem que melhor representa os Açores.
De facto, a lagoa verde e azul encaixada numa enorme cratera vulcânica é inesquecível.
Um cenário que mistura lenda, geologia e um daqueles silêncios que enchem verdadeiramente os sentidos.

Lagoa das Sete Cidade © Fun Activities
Antes de partir na sua aventura, convém saber exatamente onde fica.
As Sete Cidades ficam na parte oeste da ilha de São Miguel, dentro da caldeira de um grande vulcão adormecido.
Além disso, a caldeira tem cerca de 5,3 km de diâmetro e uma profundidade máxima aproximada de 630 metros, formada há milhares de anos.
No interior desta cratera encontra-se a famosa Lagoa das Sete Cidades, composta, na verdade, por duas lagoas distintas:
Ambas estão ligadas por um pequeno canal atravessado por uma ponte, formando o maior reservatório natural de água doce dos Açores.
Além disso, a diferença de cores deve-se à forma como a luz se reflete na água, às diferentes profundidades e à presença de algas e vegetação aquática. Em dias de sol, o contraste entre o azul e o verde é especialmente marcante; por isso, muitos viajantes planeiam a visita em função da meteorologia.
Não é por acaso que a Lagoa das Sete Cidades é considerada uma das 7 Maravilhas Naturais de Portugal e um dos principais cartões-de-visita do arquipélago.
Assim, as Sete Cidades tornou-se paragem obrigatória em qualquer roteiro pela ilha de São Miguel e, consequentemente, uma das zonas mais fotografadas dos Açores.
A ciência explica as cores da lagoa; no entanto, o coração dos Açores prefere a lenda. Por isso, conhecer a história por detrás de Sete Cidades torna a visita ainda mais especial e, sobretudo, mais emotiva.
Conta-se que, há muito tempo, existia neste vale um reino onde vivia a princesa Antília, de olhos azuis. Um dia, a princesa apaixonou-se por um humilde pastor, de olhos verdes, e nasceu um amor proibido. Quando o rei decidiu separar os dois, eles despediram-se num último encontro, em lágrimas.
Das lágrimas do pastor formou-se a Lagoa Verde. Das lágrimas da princesa nasceu a Lagoa Azul. Desde então, dizem que as cores da lagoa guardam para sempre o reflexo deste amor impossível. Por conseguinte, a lenda faz parte da identidade emocional de Sete Cidades e, além disso, é frequentemente contada em tours e visitas guiadas.
Em primeiro lugar, vale a pena começar pelo Miradouro da Boca do Inferno. Este é um dos miradouros mais impressionantes de São Miguel. A partir das passadeiras e varandas de madeira avista-se praticamente toda a caldeira: a Lagoa das Sete Cidades, a Lagoa de Santiago e outras lagoas mais pequenas espalhadas pelo vale. Em dias limpos, é daqueles panoramas que fica gravado na memória e, além disso, rende fotografias incríveis.
Em seguida, o Miradouro da Vista do Rei é o mais icónico e de mais fácil acesso nas Sete Cidades. Daqui obtém-se a clássica vista da Lagoa Azul e da Lagoa Verde, com a ponte ao fundo e o vale verdejante em redor. Além disso, o nome “Vista do Rei” recorda a visita dos reis de Portugal ao local no início do século XX, o que acrescenta um toque histórico ao cenário.
Por outro lado, o Miradouro do Cerrado das Freiras oferece uma perspetiva excelente sobre a diferença de dimensões entre a Lagoa Verde e a Lagoa Azul, enquadradas pelos campos e pela vila.
Já o Miradouro da Lagoa de Santiago revela uma lagoa mais pequena, profundamente verde, encaixada num anfiteatro de encostas cobertas de criptomérias, criando um ambiente mais intimista e misterioso. Assim, quem visita ambos os miradouros obtém visões muito diferentes de Sete Cidades e, dessa forma, compreende melhor a dimensão da caldeira.
A vila das Sete Cidades é pequena, tranquila e acolhedora, com menos de mil habitantes.
Está rodeada de prados, hortas e campos de pasto junto às margens da lagoa, oferecendo um quadro tipicamente micaelense e, sobretudo, muito autêntico.
Além disso, alguns pontos de interesse na vila incluem:
Além da paisagem, Sete Cidades é um verdadeiro convite para explorar ao ar livre. Assim, quem gosta de natureza encontra aqui um “parque de aventuras” natural. Entre as atividades mais populares destacam-se:
Para quem gosta de fotografia de paisagem, praticamente qualquer um destes trilhos rende verdadeiros “postais” dos Açores. Por isso, muitos viajantes elegem Sete Cidades como um dos pontos altos da viagem e, além disso, recomendam o local a amigos e familiares.
Junto ao miradouro da Vista do Rei encontra-se o famoso Hotel Monte Palace, um antigo hotel de luxo inaugurado no final dos anos 80 e encerrado pouco tempo depois. Hoje, o edifício está abandonado, mas continua a despertar curiosidade devido à localização privilegiada sobre a Lagoa das Sete Cidades.
Contudo, o interior encontra-se em ruína e o acesso não é oficialmente autorizado. Por isso, a forma segura e recomendada de apreciar a vista é sempre a partir dos miradouros oficiais. Desta forma, garante a sua segurança e, simultaneamente, respeita as indicações locais.
Além da beleza paisagística, Sete Cidades integra uma área protegida do Parque Natural de São Miguel, devido ao seu elevado valor paisagístico, geológico e ecológico. A caldeira é o resultado de grandes erupções passadas e, embora o vulcão seja hoje considerado adormecido, a sua forma continua a moldar toda a paisagem envolvente. Em suma, trata-se de um tesouro natural que merece ser preservado.
As manhãs com céu limpo costumam oferecer as melhores vistas a partir dos miradouros. Ao longo do dia é frequente formar-se neblina na crista da caldeira, podendo limitar a visibilidade.
Por isso, se puder, planeie a sua visita a Sete Cidades para as primeiras horas do dia. Assim, aumenta a probabilidade de encontrar boas condições para apreciar a vista.
O tempo nos Açores é muito variável e pode mudar várias vezes por dia. Por esse motivo, leve sempre um casaco leve e impermeável, mesmo nos meses de verão, e calçado confortável e adequado a trilhos. Além disso, é aconselhável verificar a previsão do tempo antes de sair, para ajustar melhor o horário da visita.
De Ponta Delgada, a viagem de carro até Sete Cidades demora cerca de 25 a 30 minutos, por estradas panorâmicas que oferecem vários miradouros intermédios e a possibilidade de visitar outras lagoas, como a Lagoa do Canário. Assim, é um passeio perfeito para meio dia ou dia inteiro e, além disso, bastante acessível para quem está alojado na cidade.
Não, não é possível nadar na lagoa. No entanto, como já referido, pode aproveitar a lagoa em atividades como caiaque ou paddleboard.
Em alternativa, pode simplesmente caminhar junto à margem e apreciar a vista.
Para preservar este cenário único, tenha alguns cuidados simples. Por exemplo:
Contribuia diretamente para a preservação de Sete Cidades para as próximas gerações.
Depois de conhecer a lenda, os miradouros, os trilhos e a vida tranquila da vila, é fácil perceber porque é que as Sete Cidades são tantas vezes apontadas como a “melhor maravilha dos Açores”. Aqui, a natureza, a história e a cultura local juntam-se num cenário que fica gravado na memória de quem visita.
Quer venha em família, em casal ou em aventura com amigos, uma coisa é certa: incluir Sete Cidades no seu guia por São Miguel é apostar numa experiência completa, com vistas de cortar a respiração, momentos de silêncio absoluto e atividades para todos os gostos.
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